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sábado, 14 de junho de 2008

Amor, Decifrado

Mais uma vez, o Dia dos Namorados está se aproximando, com sua abundância de vermelho: flores, corações e até mesmo ursos vermelhos. Para mudar um pouco a perspectiva, a cabala traz uma nova e surpreendente interpretação da noção de amor.


Ninguém sabe ao certo da onde vem a celebração do Dia dos Namorados. Sua história tem origem nas antigas celebrações pagãs da fertilidade, mitologia grega, mudanças dramáticas no Império Romano, adoção pela Igreja católica e ate mesmo alguns eventos bastante trágicos. Antes do que tudo, independentemente se gostamos ou não, o Dia dos Namorados é o lembrete mais conhecido para um tópico eterno: o amor.
Amor, o que você já sabia

Para alguns de nos, esse dia é uma oportunidade para fortalecer nossa ligação com nossos parceiros, dar flores e chocolates e assistir a um filme romântico. E, para outros, esse é um dia que parece interminável, no qual você tenta evitar aqueles “casais irritantes” e ignorar todos os corações vermelhos que nos cercam onde quer que vamos e que parecem dizer: “O amor é algo inventado apenas para fazer piada com você”.

Independente do campo ao qual você pertence, todos experimentamos aquele sentimento de estarmos totalmente apaixonados, pelo menos uma vez. O amor é cego. Quando estamos apaixonados, não vemos os defeitos do nosso amor, entendemos tudo o que eles fazem e vemos apenas o melhor neles. No entanto, muitos de nos também sabem que essa “bolha de amor” acaba um dia e que olhando para trás, dizemos: “O amor que eu sentí era apenas uma ilusão? E por que agora não consigo me sentir tão bem como quando estava apaixonada(o)?”.

Amor: o que é realmente isso?

Felizmente, a sabedoria da cabala apresenta uma explicação nova sobre o dilema do amor. Em primeiro lugar, os cabalistas explicam que há uma razão pela qual sentimos amor: porque o que sentimos pela outra pessoa de alguma forma corresponde a uma qualidade inata da Natureza.

Ao sentirmos amor, estamos em contato com a qualidade positiva que dá vida e une todas as partes da realidade. A cabala chama essa qualidade de “amor” ou “doação” e explica que esse é o fator que une todos os elementos na realidade: minerais, plantas, animais e também todas as experiências pessoais de uma pessoa.

Todas as partes da Natureza compartilham dessa qualidade de amor universal, todas exceto o homem. Em outras palavras, o homem é a única criatura que não utiliza essa qualidade de forma automática, da forma como as outras criaturas fazem. Nós somos a única exceção, livres para agir como quisermos: amar ou odiar, doar ou receber.

Quando estamos contra o amor

A verdade é que tendemos a agir de forma contrária à qualidade geral da Natureza e essa é a origem de todas as nossas sensações negativas. Por alguma razão, pensamos que nos sentimos melhor fazendo coisas para nos mesmos, mesmo que tenhamos de machucar outros. Focamos no “eu, eu, eu” “Como eu posso me sentir melhor? E “O que posso fazer para conseguir mais dinheiro/fama/poder/etc na minha vida?” E muitos sabem que esse caminho para “felicidade” é repleto de competição, inveja, solidão e dor.

Obviamente, isso é exatamente oposto ao que pensamos quando estamos apaixonados, quando nossos pensamentos são dirigidos a uma outra pessoa e tudo com o que nos importamos é a outra pessoa. Quando estamos apaixonados, a única coisa que pensamos é “O que posso fazer para que ele/ela seja mais feliz?”.

Se nos distanciamos um pouco da nossa realidade por um momento e nos percebemos em uma perspectiva mais ampliada, é fácil perceber que nos sentimos melhor precisamente quando nos harmonizamos com o a qualidade do amor. É porque nós igualamos nossa “freqüência interna” a freqüência que prevalece em toda a Natureza.

E isso não é algo que apenas a cabala irá defender. Se perguntamos a um biólogo ou botânico, eles todos concordarão que todos os organismos vivos, toda a vida e evolução estão baseados na “lei do amor”. Isso porque todas as partes de um organismo vivo interagem de acordo com o principio da “doação”, pelo qual constantemente doam uns aos outros. Cada célula vive para cuidar das funções essenciais de todo o corpo e de seu bem-estar, de forma a sustentar sua vitalidade.

Nossos corpos também funcionam de acordo com as leis da Natureza, já que o corpo funciona no nível animal. É apenas no nível humano das nossas interações – nos nossos pensamentos e sensações – que começamos a ir em outra direção. O nível humano em nós é aquele no qual sentimos o “eu”, nossa identidade e nossa preocupação constante com nós mesmos. Já que parte de nós esta focalizada nos nossos interesses e ganhos pessoais, ela geralmente menospreza o fato de que o mundo é interconectado e interdependente.

Em outras palavras, não percebemos que a felicidade ou sofrimento de uma pessoa é inevitavelmente ligada a como nos sentimos e que o nosso bem-estar depende diretamente do bem-estar de outras pessoas. A cabala nos ajuda a compreender o que está se passando, como se usássemos uma lupa. Então, percebemos que a lei da Natureza de amor absoluto – de atenção e cuidados naturais, instintivos – está longe de ser vivenciado no nível humano.

Sentimos amor infinito ao harmonizar-nos com a Natureza

Se mudamos essa tendência e começamos a perceber a todos de acordo com a lei natural da “doação”, então sentiremos “amor” todo o tempo, não apenas por momentos breves. Isso ocorre porque uma vez que percebemos que estamos todos interconectados, como as células do nosso corpo, participamos da Natureza como elementos integrais. Vamos apenas nos unir com o resto da Natureza e nossa atitude diante dela e, portanto, tudo que nos rodeia será de puro amor.

A harmonização com a Natureza no nível humano nos trará uma sensação do que a cabala chama de “infinito” – amor, alegria e paz infinitas. Esse sentimento é chamado de “Infinito” porque quando o sentimos, os limites entre nós deixam de existir e nós literalmente sentimos os outros como se eles fossem parte de nos mesmos.

Portanto, a relação entre amor e doação não é apenas uma mudança de atitude, mas um aperfeiçoamento fundamental da nossa qualidade de vida e nível de nossa percepção. Não vamos, então, passar o Dia dos Namorados falando mal dos “casais irritantes” ou imaginando porque não funcionou o relacionamento com os nossos “ex”. Vamos nos lembrar do amor infinito que podemos experimentar quando mudamos nosso foco do “receber” para o “doar”.
Texto original:Love, Deciphered