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domingo, 27 de julho de 2008

Homem, Mulher, e a Serpente entre eles.

Durante séculos, a história de Adão e Eva povoa a imaginação tanto de crianças quanto de adultos. É hora de saber o verdadeiro significado da história, quem foi aquela pequena ardilosa serpente, e, é claro, como tudo isso se relaciona com o aumento crescente dos divórcios.

Eles são o casal mais falado dna história. Ela é sedutora, infiel e indiferente, que o atraiu para fazer o proibido. Ele é "o pai da humanidade," a vítima moral e o iluminado, que falhou em restringir sua insubordinada esposa, sendo atraído para o pecado.

Ou você pode preferir a versão moderna. Ela é graciosa, abstinente e pura, consumida pela agonia e arrependimento pelo que causou a Ele. Ele é rude, descuidado e vingativo porque naquele fatídico dia ele caiu em virtude dos encantos de uma mulher.

Não, não estamos falando de outro jovem casal de celebridades da moda à caminho de mais um divórcio. Senhoras e senhores, apresentamos Adão, Eva e a Serpente - o primeiro triângulo amoroso da história.

Jardim do Éden

Hoje em dia, as estatísticas sobre divórcio não são boas para os casamentos duradouros. A taxa está crescendo anualmente, deixando milhões de pessoas se perguntando o que fazer com a divisão em sua família, casa e finanças.

Entender a história de Adão e Eva pode jogar uma luz mais que necessária sobre a divisão entre os sexos. Mas, para isso, temos de penetrar profundamente no verdadeiro e oculto significado desta famosa história.

Em primeiro lugar, temos de estar conscientes de que, como todas as histórias bíblicas, esta também é escrita em uma especial e simbólica linguagem. Cada palavra faz alusão aos processos que ocorrem nos níveis de realidade mais elevados, o que é, naturalmente, oculto ao nosso alcance. Se pudéssemos aprender a decifrar essa linguagem, descobriríamos nossas raízes espirituais e os nossos verdadeiros papéis como homens e mulheres. - Então, vamos começar - com o início.

No início

A sabedoria da Kabbalah explica que há uma força infinita atuando na realidade, chamada de "o Criador". A qualidade desta força é de completo e incondicional amor e doação; conseqüentemente, o seu objetivo é um só - dar prazer.

Com a finalidade de dar vazão à Sua vontade, Ele criou uma criatura, ou uma alma, que iria receber toda a Sua abundância. Esta alma é chamada "Adam HaRishon" ("O Primeiro Homem"), ou simplesmente "Adam"- homem.

E isto é exatamente o que a história do Jardim do Éden descreve. Revela como Adão, a alma, a única criatura que existia, despreocupadamente se divertia no Jardim do Éden, até que o Criador decidiu fazer algo para acelerar o seu desenvolvimento:

"O Senhor disse," Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma ajudadora que lhe seja idônea" (Gênesis, 2:18).

Como já foi referido, Adam não era um homem físico, mas uma entidade espiritual, tal como o "Jardim do Éden" não era um local físico, mas um nível espiritual da realidade. Na verdade, foi o melhor estado possível de existência, mas por que o Criador interviu nesta perfeita e descuidada existência?

Porque a alma tinha apenas um pequeno, pouco desenvolvido desejo de receber, e o Criador não poderia inundá-lo com toda a abundância que Ele tinha para dar. Portanto, para que a alma pudesse crescer e amadurecer, o Criador colocou-a num "caminho de amadurecimento."

Duas partes de um todo

Para que a alma atingisse o estado em que pudesse ser preenchida com o infinito e eterno prazer, primeiro tinha que aprender o significado tanto de receber como o de doar. Por esta razão, o Criador dividiu-a em duas metades: "uma metade masculina"- o atributo da doação, e uma "metade feminina"- o atributo da recepção.

Somente ao encontrar a conexão apropriada entre sí, podem as duas partes da alma - Adão e Eva - criar um único e perfeito recipiente em que a abundância do Criador pode residir.

Árvore do Conhecimento

Então, o que "comer da árvore do conhecimento" têm a ver com tudo isto? A Kabbalah explica que "comer", significa receber o prazer do Criador. E a Árvore do Conhecimento é a completa satisfação que o Criador pretende dar; porém, a alma ainda era incapaz de receber, e, por isso, ela era chamada de "fruto proibido".

A alma, agora constituída por Adão e Eva, não tinha concluído o seu processo de desenvolvimento. Portanto, ao comer do "fruto proibido", (recebendo todos os prazeres do Criador), tornar-se-ia sobrecarregada pelo prazer perdendo sua ligação com o Criador - a qualidade da doação. Em outras palavras, a alma cairia para um nível que a separou completamente do Criador, tornando-se totalmente controlada pelo ego - o mundo físico.

No início, eles conseguiram ficar longe do "fruto proibido"- até que o Criador, mais uma vez, interveio. Isto por que a alma necessitava descer para o mundo físico, a fim de desenvolver-se plenamente, e quis o Criador "acelerar" o processo. Desta vez, Ele recrutou o mais traiçoeiro de todos para o trabalho - "a serpente".

A Serpente

Não se trata do familiar animal da família dos répteis. "Serpente" refere-se ao ego que existe em todos e cada um de nós. Na história do Jardim do Éden, a serpente (o ego) seduz Eva (a vontade de receber da alma) para incentivar Adam (a capacidade da alma de doar como o Criador) para saborear o fruto proibido (receber todo prazer do Criador), mesmo eles não estando preparados para isso ainda. Como resultado, ambos se desconectaram do Criador.

O prazer de saborear aquele fruto proibido era tão intenso que forçou a alma a esquecer tudo relacionado ao Criador e com o fato de que este prazer veio de Deus.

Como resultado, a relação de Adão e Eva com o Criador foi invertida. Eles foram "expulsos do Jardim do Éden" - perderam o seu nível espiritual e cairam para o nível físico, chamado de "nosso mundo".

Hoje, a História Continua

Adão e Eva representam as raízes espirituais de nossas almas. Embora no mundo espiritual estejamos unidos como uma única entidade, no mundo físico estamos desconectados, incapazes de compreender um ao outro.

O que podemos fazer a respeito? Em primeiro lugar, a Kabbalah diz que o casal deve perceber a existência da serpente entre eles. Eles têm de compreender que o ego é a única fonte de todos os problemas num relacionamento. Normalmente, a serpente nos controla de modo tão ardiloso que não vemos ser ela a raiz de toda separação entre nós.

Em segundo lugar, cônjuges devem perceber que o casamento é mais do que uma instituição inventada pelo homem. Faz parte de um abrangente e espiritual processo de reaproximar as duas partes da alma. Percebendo isso, será mais fácil para os cônjuges cooperar. Entretanto, não poderemos ter sucesso se tentarmos preencher nossas necessidades somente a partir das coisas deste mundo, focando apenas nossas metas mundanas.

Se quisermos que os nossos relacionamentos sobrevivam, temos que imbuír-lhes de seu verdadeiro e espiritual significado. E isso apenas pode ser feito quando ambos os cônjuges estão conscientes da sua mútua e espiritual meta.

Isto é o que os Kabbalistas entendem por "Homem, mulher e a Divina Presença entre eles." (Talmud da Babilônia) A unidade espiritual entre as duas partes distintas da alma é o que cria harmonia, e dentro dessa unidade, o Criador é revelado.

Texto original:Man, Woman, and the Snake Between Them